A arte da persistência

Parece loucura, mas hoje trabalhar 12 horas por dia, às vezes mais, às vezes menos, trabalhar aos fins de semana, não é dureza.
Duro era ver meus irmãos carregando e descarregando caminhão a ponto de sangrar o nariz, duro era ter 2 empregos com 14 anos para ganhar R$100,00 em cada um.
Duro mesmo era comer um bife deixado pela minha mãe ao meio dia ao sair da escola pública dando aulas de substituições, pois meu segundo emprego era 12:15 hrs, em outra escola. Duro era ainda lecionar aulas de reforço a noite, ver aquelas crianças exaustas, sen brilho nos olhos. E você também estar exausta. Lembrando que o governo paga após 2 meses das aulas lecionadas…
Triste foi ver minha mãe chorar pela primeira vez, depois de enfrentar mais uma crise no ramo de café cru. Em 2000. E perder tudo. De novo.
Sem perspectiva, sem rumo, sem futuro nenhum, ver meu irmão indo para São Paulo, sem saber nem onde começar, recebendo vários”nãos”. Enfrentando mais motivos para desistir do que continuar.
Duro mesmo era essa vida, saber que eles trocavam de camisa para que os clientes não percebessem que aquele ali era o entregador, que acabara de fazer entrega em algum outro estabelecimento.
Triste foi ver seu único estoque de embalagens ser levado pela chuva, pelo telhado fraco e velho. E ainda ter que manter o autocontrole. Pois você precisava dar um jeito, mostrar uma solução. Duro mesmo era trabalhar na produção de café em pó, com 12 anos, esperando ansiosa algum mercado da cidade querer comprar nosso produto.
Duro mesmo era ver minha mãe trabalhando, aguardando horas nas filas dos mercados torcendo para sair um pedido, meu pai, meus irmãos, para fechar o mês sem lucro nenhum.
Cansaço, discussões, falta de perspectiva.
Sorte? Em ter nascido nessa família sim. Em ter encontrado tanta gente boa. Em ter encontrado pessoas que resolveram dar um voto de confiança.
Sorte em ter irmãos que não aceitaram nenhuma rasteira que a vida tentava dar, que mesmo com tanta gente nos chamando de ignorantes, com todos os motivos do mundo pra desistir, buscaram, buscamos soluções, lutamos, acreditamos.
Nós não tínhamos para onde ir, porque aquilo ali era nossa vida!
Até hoje tem muita luta, muita, muita dedicação, muito foco, muito amor em tudo que fazemos.
Pra nós não existe limite, são 50 itens para se fazer num dia.
Hoje, juntos, conseguimos formar uma equipe espetacular formada de pessoas fantásticas, conseguimos fazer uma marca querida.
Hoje, podemos dizer que não existe sorte, existe trabalho, concentração, pesquisa e principalmente PERSISTÊNCIA.
Só temos que agradecer a Deus por todo o processo de aprendizagem que passamos. Por tantas coisas que aprendemos. Agradecer  a Deus por tantas pessoas boas que encontramos em nosso caminho. Agradecer aos nossos pais pela nossa educação e pela nossa simplicidade.
Desejamos do fundo do coração, que muita gente se inspire e busque seu sonho. Assim como nós continuamos a buscar o nosso 😉

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Um comentário sobre “A arte da persistência

  1. Paty Azzolini disse:

    Parabéns amiga pelas belas e sinceras palavras. Nesse mundo egocêntrico em que vivemos ainda existem pessoas que acreditam que “juntos” podemos alcançar e ir mais longe! Parabéns pela persistência de sua família.

    Curtir

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